28/03/2019 às 15h27min - Atualizada em 28/03/2019 às 15h27min

Sem Anderson Silva, coletiva do UFC Rio 10 traz Rose respeitosa e Bate-Estaca se dizendo "zebra"

Campeã peso-palha do UFC enaltece o Rio de Janeiro como berço do jiu-jítsu e do MMA e diz que quis dar à brasileira a chance de disputar o título em casa. Aldo confirma plano de se aposentar

Mesmo com um desfalque de peso na última hora - Anderson Silva alegou compromissos profissionais e não compareceu ao evento, sendo substituído por Rogério Minotouro - a coletiva de imprensa do UFC Rio 10, ou UFC 237, realizada nesta quinta-feira no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, teve como destaque a postura respeitosa de Rose Namajunas, campeã peso-palha da organização, em relação ao Rio de Janeiro e à sua adversária, Jéssica Bate-Estaca. As duas lutadoras, que fazem a luta principal do evento, trocaram declarações de enaltecimento uma à outra e evitaram as provocações.
 

 
- É uma honra estar aqui na cidade em que o MMA e o jiu-jítsu nasceram. Isso salvou e melhorou a minha vida, e o mínimo que eu posso fazer é dar um show para os fãs. Havia a possibilidade de acontecer em Curitiba, mas fiquei feliz de acontecer aqui. eu sempre penso duas vezes no que fazer e falar, mas estou muito feliz. Jéssica vai ter a chance de disputar o cinturão. Ela sempre tem que viajar, e agora vamos trazer a luta para ela - disse Namajunas.
Bate-Estaca agradeceu à americana a oportunidade de poder lutar em casa, e vibrou por poder se apresentar diante da família, dos amigos e das companheiras de equipe.
- Primeiramente queria agradecer à Rose por poder lutar no Brasil. Faz muito tempo que eu não lutava aqui. Se fosse em Curitiba, seria no berço da PRVT. Lutar no Brasil é excelente, e no Rio de Janeiro é melhor ainda. Vou estar perto da minha equipe e da minha família. O mestre Paraná vai poder trazer a mãe dele, que é um ícone para nós, para participar do evento. Estou muito feliz, muito concentrada por poder lutar no meu país.
A brasileira também se declarou "zebra" na luta contra Namajunas, e explicou:
- Eu me considero a zebra. A Rose é a campeã. Ela venceu a Joanna duas vezes, e eu não consegui. As pessoas dizem que o meu jogo é melhor que o dela, e eu discordo. Cada uma é boa em uma coisa. Eu tenho força e sou muito agressiva, mas a Rose é muito boa também. Eu me vejo como zebra, eu sou a zebra. Eu luto melhor assim. A Rose é a favorita, eu sou a zebra e vamos nos testar no octógono para ver que é a melhor.
 

 
Aldo explica lesão e fala em aposentadoria
 
Muito relaxado e brincalhão, José Aldo falou sobre a lesão que o obrigou a ficar internado, e revelou ainda não estar totalmente recuperado, mas acredita que em breve estará treinando normalmente.
- Fiquei bem triste com o que aconteceu. Estava treinando forte para a luta, e foi um banho de água fria. Quero lutar no Rio. Remédios e antibióticos fazem parte da recuperação, mas eles vão sair do corpo logo e vou voltar a treinar em breve. Eu estava treinando wrestling, e em uma entrada que eu dei em um "double leg", fiquei com uma pequena queimadura no joelho. Fui para casa e fiquei com um pouco de febre. No dia seguinte meu joelho já estava inchado. Fui para o hospital, me deram antibióticos que não fizeram efeito. Na quinta-feira mudaram os antibióticos, e esses fizeram efeito. Depois fizeram uma punção no joelho e tiraram tudo de ruim que tinha lá. A cada momento vinha muita coisa na cabeça. Eu nem queria ir para o hospital, mas não conseguia nem botar o pé no chão. Pensei em sair da luta, mas fui muito bem atendido. Quando tiraram toda a secreção começou a melhorar. Ainda não tô 100%, não tem como, mas vamos dar o melhor.
 

 
O ex-campeão dos pesos-penas do UFC também falou sobre seus planos de se aposentar e revelou ter propostas para lutar boxe após o fim dos eu contrato com a organização, que acaba em duas lutas.
- O plano é esse, de me aposentar no Brasil, e vamos seguir esse plano. Quero fazer mais uma luta no Brasil, não sei aonde será. Na minha última luta, contra o Moicano, eu ouvi falar de renovação de contrato, mas tem outras propostas também, e temos que ver isso. Quero ver qual o caminho a seguir. No MMA eu já fiz muito, agora é a hora da Jéssica e de outros. Contratualmente é muito difícil renovar, mas vamos ver o que vai acontecer.
Perguntado se havia lido sobre a aposentadoria de Conor McGregor, o brasileiro brincou dizendo que, se fosse ele no lugar do irlandês, já estaria aposentado há muito tempo, e aproveitou para parabenizar o antigo desafeto, não sem antes deixar claro que, se fosse pela sua vontade, lutaria mais uma vez contra o rival, mas não acredita que isso vá acontecer.
- Ouvi também sobre a aposentadoria dele. O que ele fez e o que ele ganhou no esporte, eu também pararia. Se eu faço uma luta contra o Mayweather e ganhasse 80 milhões de dólares, vocês nunca mais iam me ver. Vocês acham que eu iria treinar trés vezes por dia? Só se a conta secasse. Eu parabenizo ele pelo que ele fez pelo esporte e pela Irlanda, mas acho que essa luta entre nós não vai acontecer. Eu lutaria com ele sem problemas, mas acho que não vai acontecer. Eu tenho 32 anos, e meu sonho é lutar boxe, onde posso ganhar muito dinheiro. Estou ouvindo propostas, mas no MMA eu ganhei muito dinheiro também. Eu queria muito mais lutar com ele pela honra do que por dinheiro. Mas ele está certo em se aposentar e eu desejo felicidades.
 
Confira mais trechos das entrevistas dos atletas:
 
ROGÉRIO MINOTOURO
 
Lutar novamente no Rio de Janeiro
 
Pra mim está sendo emocionante voltar a lutar no Rio de Janeiro. Eu vi uma entrevista do Rodrigo outro dia, ainda garoto, dizendo que queria se aposentar quando o esporte fosse tão conhecido quanto no Japão. E hoje eu estou aqui vendo isso acontecer. Estou muito grato por estar nesse card, ao lado do José Aldo. O sentimento é de gratidão. Lutar no Rio sempre é especial. Quando você entra lá e ouve a torcida te empurrando, sem dúvida dá uma força. Eu gostaria de fazer mais uma luta contra o Maurício Shogun antes de terminar a minha carreira. Nós lutamos em 2015 e o resultado não foi o que eu gostaria.
 

 
Preparação para a luta contra Ryan Spann
 
A preparação está muito boa. Estou muito motivado por lutar aqui no Rio de Janeiro. Estou fazendo muito trabalho na parte física, porque tenho 42 anos e preciso me preparar para fazer uma grande atuação para vocês.
 
JOSÉ ALDO
 
Lembranças dos primeiros UFC Rios
 
Era um sonho para nós brasileiros lutar em casa. Eu lembro que tinha bastante cabelo naquele tempo, e hoje não tenho mais. éramos eu, Minotauro, Shogun, Anderson e outros grandes campeões. É um prazer muito grande, termos família e amigos aqui, não viajamos. Fiquei muito satisfeito por tudo o que aconteceu nesses nove anos. Todos estamos de parabéns.
 
Volkanovski quase não aceitou lutar por ser padrinho de casamento
 
Eu também passei por isso, irmão! (Risos). Sou padrinho de casamento da minha irmã, e eu mudei o casamento dela pra lutar no Rio. Ela vai casar uma semana antes pra eu poder ser padrinho. O casamento seria no dia da luta. Ele vai ter que fazer isso também.
 
 
O Rei do Rio está de volta?
 
De volta, não. Nós nunca saímos. O meu momento mais marcante foi ter vencido o Chad Mendes e ter ido para os braços do povo. Eu vi o Ayrton Senna fazer isso, e pude fazer também. Foi muito marcante.
 
Próximas lutas
 
Primeiramente eu penso no Volkanovski. Já tive muito próximo de lutar contra o Pettis, mas não aconteceu. A categoria é muito próxima. Tem que ver a luta do Holloway contra o Poirier, e ainda penso em disputar o cinturão. Vamos ver o que vai acontecer, mas eu quero ver se ainda vou disputar o cinturão, que é a coisa mais fácil de acontecer. Pode ser que essa disputa caia no meu colo, e eu vou abraçar com muito carinho.
 
Se vencer, pula a grade de novo?
 
É um momento especial para qualquer atleta, de vibrar muito quando vence. Aqui no Rio a segurança já vai estar me cercando muito, mas vamos ver (risos). Os torcedores sofrem com a gente, vibram com a gente e merecem fazer parte desse show.
 
Consolidação do MMA no Brasil
 
Um dia eu estava na igreja e eu achava que ela estava me confundindo, por achar que que era um jogador de futebol. Ali eu vi que o esporte estava consolidado. O UFC estar sempre no Rio mostra que o esporte é uma realidade, já é normal o UFC estar aqui. Quero que os jovens, como a Jéssica, o Marreta e o Marlon disputarem títulos mostre que o MMA está forte.
 
JÉSSICA BATE-ESTACA
 
Fazer a luta principal em card no Rio com Anderson e Aldo
 
Quer mais sonho do que isso? É difícil. Em 2011, quando eles lutavam aqui no Rio no UFC eu estava começando a minha carreira. Agora eu estou fechando o evento com Anderson, Aldo, Minotouro. Quero mostrar que vou representar muito bem o Brasil, como eles representaram.
 
 
Preparação para enfrentar Rose Namajunas
 
Eu acredito que, como eu, ela tem estudado meus defeitos, onde eu erro. Na luta contra a Joanna deu pra ver isso. ela se movimentava muito bem e me atrapalhou. Eu venho me desenvolvendo muito no chão. Sou uma faixa marrom que treina muito. No Mundial em São Paulo eu vou todos os anos e ganho. Estou me preparando muito.
 
Sua luta como incentivo para as mulheres
 
A importância de ter uma mulher lutando no Brasil é o incentivo a outras mulheres de poderem ser lutadoras ou o que elas quiserem. Nunca imaginamos ter lutadoras fazendo lutas principais no Brasil. Temos capacidade, sim, de fazer a luta principal e fechar com chave de ouro.
 
ROSE NAMAJUNAS
 
Diferença de estilo para Jéssica Bate-Estaca
 
Os nossos estilos são bem diferentes, somos yin e yang. Estou ansiosa por esse desafio, quero tirar os pontos fortes dela e explorar seus pontos fracos. Não me preocupo com bolsas de apostas. A imprensa pode falar o que quiser, mas sou muito confiante em mim mesma e sei o que posso fazer.
 
 
Respeito ao Rio de Janeiro
 
- Ainda não experimentei esse lado hostil de que vocês falam. Esse é um lugar lindo. Gostaria que as pessoas não dissessem que aqui é um lugar hostil. Eu amo esse lugar e amo estar aqui.
 
Fechar um evento com José Aldo e Anderson Silva
 
É uma honra muito grande fechar um evento com lendas como Anderson, Aldo e Minotouro. As mulheres podem ser não só lutadoras, como tudo o que quiserem. A luta não é só boa para ser lutador, mas pela saúde, pelo bem estar. Estou muito feliz em fazer parte disso.
 
UFC 237

11 de maio de 2019, no Rio de Janeiro

CARD DO EVENTO (até o momento):

Peso-palha: Rose Namajunas x Jéssica Bate-Estaca
Peso-pena: José Aldo x Alexander Volkanovski
Peso-médio: Jared Cannonier x Anderson Silva
Peso-meio-pesado: Rogério Minotouro x Ryan Spann
Peso-galo: Bethe Correia x Irene Aldana
Peso-mosca: Wu Yanan x Luana Dread
Peso-galo: Jessica-Rose Clark x Talita Bernardo
Peso-meio-médio: Thiago Pitbull x Laureano Staropoli
Peso-leve: B.J. Penn x Clay Guida
Peso-galo: Raoni Barcelos x Said Nurmagomedov
Peso-leve: Thiago Moisés x Kurt Holobaugh
Peso-meio-médio: Warlley Alves x Sérgio Moraes

 
Fonte: SporTv Globo
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