02/02/2022 às 09h29min - Atualizada em 02/02/2022 às 09h29min

SAÚDE TEME ONDA GRAVE DA COVID-19 EM CRIANÇAS EM GOIÁS

Superintendente de Vigilância em Saúde diz que baixa adesão à vacinação na faixa de 5 a 11 anos pode tornar Goiás um dos maiores em número de mortes e de internações.
Nesta segunda-feira, 31 de janeiro, durante reunião virtual convocada pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado de Goiás (Cosems-GO), a superintendente de Vigilância em Saúde (Suvisa), da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Flúvia Amorim, fez um alerta para a possibilidade de surgir, num futuro próximo, uma grave onda de internações e óbitos de crianças em razão da baixa cobertura vacinal contra a Covid-19. Segundo ela, Goiás está “na lanterna da lanterna” no ranking nacional de imunização na faixa etária de 11 a 5 anos.
“Não se trata de ficar apenas no final da fila. É muito mais do que isso. Historicamente, em outras campanhas, observamos que, quando vacinamos uma faixa etária e deixamos outra descoberta, há deslocamento de casos para as pessoas mais suscetíveis, mais vulneráveis. Se continuarmos desse jeito, corremos um risco de Goiás ser o estado com maior número de casos graves e óbitos de crianças”, disse ela aos gestores municipais de Saúde.
Flúvia Amorim alertou que a pandemia não acaba com a variante ômicron. “Ela não será a última, outras virão e precisamos estar preparados para isso. Me preocupa muito o futuro, com o crescimento de casos graves de Covid-19 em crianças”, enfatizou.
A superintendente da Suvisa explicou que das 726 mil crianças que deveriam receber a vacina contra a doença provocada pelo Coronavírus (Sars-CoV-2), menos de 19 mil compareceram aos locais de vacinação, o que equivale a 2,6% deste público.
“Uma possível causa é a grande disseminação de fake news e a dubiedade na falas do Ministério da Saúde, que acabam deixando as pessoas inseguras”, disse Flúvia, ao POPULAR.
“Estamos quase implorando aos pais para que levem os filhos para vacinar e que os municípios registrem as doses aplicadas”, comentou Clarice Carvalho, gerente de Imunizações da SES-GO. Segundo ela, há municípios que estão vacinando na faixa etária de 10 a 11 anos, mas por causa da baixa procura, as doses estão sobrando. “Temos um calendário estipulado pela SES como uma ferramenta para organizar a estratégia, mas não percam a oportunidade de vacinar”, afirmou, sobre crianças mais novas, até 5 anos, que comparecerem aos locais de vacinação.
Durante a reunião do Cosems-GO, em caráter extraordinário, a presidente Verônica Savattin, secretária de Saúde de Chapadão do Céu, anunciou que, no dia 19 deste mês, um sábado, será realizado um dia D da campanha em nível estadual. O assunto já foi discutido na SES e haverá uma resolução específica a respeito.
Para Verônica, muitos pais, durante a semana, alegam que não podem deixar o trabalho para levar as crianças aos postos de vacinação, por isso a opção pelo final de semana.

Menina que teve de ser entubada deixa hospital

“Meu sentimento é de felicidade e gratidão por Deus ter dado uma nova chance para ela viver.” Juscilene Araújo de Oliveira, de 26 anos, comemorou com muitos sorrisos no rosto e uma boa dose de otimismo a alta, nesta terça-feira (1º), da filha caçula, Vitória, de pouco mais de 5 anos. A menina ficou 21 dias internada no Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP) em tratamento contra a Covid-19 e a gripe H3N2. Depois de peregrinar por unidades básicas da rede, sem um diagnóstico definitivo, ela foi internada em estado grave. 
Juscilene, moradora do Setor Independência Mansões e mãe de outras duas meninas, de 7 e 9 anos, foi surpreendida no dia 4 de janeiro pelo mal estar de Vitória, que chegou acompanhado de febre alta. “Levei na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Buriti Sereno, o  disse que ela não tinha nada e receitou dipirona. Voltamos para casa e nada de melhora. Depois de quatro dias, a levei à mesma unidade e ouvi a mesma coisa, mas ela só piorava. Três dias depois, na UPA do Flamboyant, constataram que ela estava com pneumonia aguda, ficando internada.” 
Foi nessas condições, no dia 11 de janeiro, depois de receber cuidados na UPA Flamboyant, que Vitória deu entrada no HMAP. Na unidade de saúde, exames revelaram que a menina estava com Covid e com gripe H3N2, um dos subtipos do vírus que causa influenza e que vem assustando autoridades de saúde neste início de ano. Os sintomas de ambas as doenças são muito semelhantes, e a confirmação de sobreposição só ocorre após testagem específica. 
Logo que entrou no HMAP, Vitória foi para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), onde permaneceu por sete dias. Houve sobressaltos no período e momentos de esperança. “Ela chegou a ir para a enfermaria, mas piorou e voltou para a UTI, onde ficou entubada”, conta Juscilene. Separada há três anos e responsável pela criação das três filhas, ela falou do pesadelo que viveu depois de 21 dias de internação da menina. “Foi desesperador. Um sufoco. Não desejo nada parecido para nenhuma pessoa.”
Juscilene comentou que ninguém de sua família teve Covid-19 e todos foram vacinados contra a doença, com exceção das filhas, Telma, Tânia e Vitória, que contraiu o coronavírus antes da liberação da vacina. “Vou providenciar isso o mais rápido possível. Jamais poderia imaginar que a situação de Vitória ficasse tão grave. Estou feliz de voltar com ela para casa”, comentou ao deixar o HMAP. Vitória foi festejada pela equipe que a atendeu durante a internação, com direito a balões coloridos e um “certificado”, como disse sua mãe, de que seu nome fez jus ao esforço coletivo para que ela ficasse livre de ambas as doenças. "
 
Fonte: O Popular
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