20/07/2020 às 11h22min - Atualizada em 20/07/2020 às 11h22min

Mãe pede ajuda para conseguir respirador e home care para filho de 5 anos com paralisia motora, em Uruana

Segundo Lorena Ribeiro, o plano de saúde do menino negou a UTI domiciliar. Família organiza uma feijoada para arrecadar R$ 8,6 mil e comprar uma cadeira de rodas especial para Arthur Ribeiro, que não tem qualquer tipo de movimento.

A dona de casa Lorena Lorrany Maciel Ribeiro, de 28 anos, luta para tentar melhorar a qualidade de vida do filho Arthur Melchior Maciel Ribeiro, de 5 anos, que tem paralisia motora. A família vive em Uruana, na região central de Goiás, e tenta conseguir o serviço de home care - que é o atendimento hospitalar dentro de casa - com respirador. No entanto, segundo a dona de casa, a UTI domiciliar para o filho foi negada pelo plano de saúde.

Como Arthur não se movimenta, a família está organizando uma feijoada para arrecadar cerca de R$ 8,6 mil e, assim, comprar uma cadeira de rodas especial para ele. O menino, que vive acamado, não tem o controle das pernas, dos braços e nem da cabeça. Ele se alimenta por sonda gástrica e respira por traqueostomia.

 

“O Arthur interna bastante. Nós passamos cerca de 10 dias em casa e, depois, voltamos para o hospital e ficamos cerca de dois meses. É sempre assim", relata.

 

G1 entrou em contato com o Ipasgo - plano de saúde contratado pela família - que disse, em nota, que o plano de assistência é o único em Goiás que oferece na cobertura o serviço de home care. No entanto, explicou que "diante da portaria vigente no Ipasgo, o serviço de homecare, atualmente, atende apenas aos municípios de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Trindade e Anápolis".

 

 

Necessidade de respirador

 

De acordo com a mãe, até agosto do ano passado, Arthur não precisava utilizar oxigênio. Porém, após ter de passar por uma traqueostomia, o menino teve uma piora no quadro respiratório e passou a precisar de oxigênio de uso contínuo. Ainda assim, segundo Lorena, só o oxigênio não está sendo suficiente, por isso ele precisa de um respirador.

 

"Nós fomos investigar o motivo [das internações] e descobrimos que o pulmão dele não está expandindo. Então, ele precisa do respirador para ajudar ele a respirar, porque o pulmão dele não está enchendo”, explicou.

 

A mãe de Arthur conta que entrou com o pedido do home care com o respirador assim que o filho fez a traqueostomia. No entanto, ela diz que o plano de saúde se recusou a fornecer o serviço hospitalar em casa.

“Eles não me deram nenhum papel formal dizendo que não poderiam fornecer o home care, mas me informaram que não poderiam me fornecer por causa da cidade onde moramos, mas nós não temos condição de sair daqui. Eu acredito que, como é um suporte de vida, o plano teria que me oferecer. Também tentei pela rede pública, mas foi negado”, conta.

Segundo Lorena, que também tem outros dois filhos, de 8 e 10 anos, o marido trabalha fazendo bicos, mas não tem emprego fixo. Com isso, a família não tem condições financeiras de bancar o tratamento adequado.

A reportagem entrou em contato, por telefone e e-mail na sexta-feira, com a Secretaria Municipal de Saúde de Uruana, e aguarda um posicionamento.
 

Sequelas neurológicas e motoras

 

Segundo a mãe, Arthur é fruto de uma gestação de gêmeos da qual só ele sobreviveu.

“Arthur é um ‘bebezão’ que nasceu aos seis meses de gestação. Infelizmente, o irmãozinho não resistiu, mas, para a nossa alegria, ficou o Arthur para iluminar nossos dias com seu sorriso. Por ser prematuro extremo e pela parada cardiorrespiratória que ele deu ao nascer, ficou com várias sequelas neurológicas e, consequentemente, motora", explica.

 

Feijoada para conseguir cadeira de rodas

 

Além do home care com respirador, Arthur também precisa de uma cadeira de rodas especial para ajudar a transporta-lo, já que o menino não tem nenhum movimento. A família vai realizar uma feijoada para conseguir arrecadar o dinheiro, no próximo sábado (25). O valor da cadeira, segundo orçamento feito por Lorena, é de R$ 8,6 mil. Cada marmita de feijoada será vendida por R$ 10. A mãe já começou a campanha pelas redes sociais.

 

“Estamos fazendo uma campanha para conseguir a cadeira de rodas especial, que é feita sob medida para ele. Ele não mexe nada, então, tem que ser uma cadeira que consiga suprir as necessidades dele. Nós vamos fazer a feijoada e, se Deus quiser, vamos conseguir arrecadar o dinheiro”, diz.

 

A mãe conta ainda que, antes da traqueostomia, Arthur pesava 6 kg, mas depois do procedimento passou a respirar melhor e engordou 20 quilos, o que reforça a necessidade da cadeira de rodas do tamanho dele.

“Hoje, ele pesa 26 kg, por isso, a necessidade da cadeira de rodas. A dele não serve mais e a nova tem que ser feita para ele com as medidas dele, por isso esse valor maior”, explica.

Fonte: G1Goiás

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