27/01/2020 às 14h19min - Atualizada em 27/01/2020 às 14h19min

Polícia apura maus-tratos após achar cães e gatos desnutridos e doentes em abrigo de Abadiânia

Veterinário responsável pelo local disse que prisão de João de Deus, há mais de um ano, foi determinante para queda em doações de 'gringos' para o abrigo. Bichos tinham feridas e estavam com as costelas aparentes.

A Polícia Civil investiga denúncias de maus-tratos contra animais após localizar 46 cães e 23 gatos doentes e com sinais de desnutrição em um abrido de Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal. O veterinário responsável pelo local disse que a prisão de João de Deus, realizada há mais de um ano por acusação de crimes sexuais, foi determinante para a queda de doações recebidas, que são usadas no custeio das despesas.
O profissional, Turene Frazão Parente Júnior, prestou depoimento na manhã desta segunda-feira (27). À polícia, ele negou que tenha cometido maus-tratos.
G1 contatou o advogado de Turene, Alex de Faria Athaídes, por mensagem, às 13h20, e aguarda retorno.
O caso veio à tona após fotos dos animais serem publicadas em redes sociais. Alguns cães aparecem com feridas e também com as costelas aparentes. O abrigo, que funciona em uma chácara, também apresentava péssimas condições de higiene.
Também não havia ração em algumas baias e a água disponível para os animais estava lotada de larvas.

Efeito João de Deus

Em seu depoimento, Turene afirmou que preside uma Organização Não-Governamental (ONG) responsável por resgatar animais abandonados e cuidar deles. A despesa mensal era de cerca de R$ 13 mil e que mesmo com esse custo já chegou a abrigar 180 animais.
Ocorre que, segundo o veterinário, a prisão de João de Deus, em dezembro de 2018, "acabou com a cidade" e mudou toda sua rotina. Turene afirmou que João de Deus não fazia doações para a ONG, mas sua presença na cidade atraia muitos estrangeiros "do mundo todo". Com a prisão, os "gringos" deixaram de visitar a cidade e, consequentemente, de fazer doações. Por isso, desde então, alega que não teve mais como manter os animais em condições adequadas.
Sobre as condições dos animais, ele disse à polícia que com a falta de dinheiro passou a comprar ração e medicamentos de menor qualidade.

Investigação

Titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), o delegado Luziano de Carvalho, disse a situação não pode ser usada como justificativa. "Teria outras soluções e ele não buscou", afirma.
Por isso, ele afirmou que deve indiciar o veterinário pelo crime maus-tratos. A mesma medida deve ser adotada contra os proprietários do terreno, os quais o delegado diz que foram omissos por saberem da situação e só denunciar o caso agora pelo fato de haver aluguéis em atraso.
G1 busca localizar a defesa dos donos do imóvel.
Integrantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) farão uma vistoria no local para verificar a situação da chácara e dos animais.
Fonte: G1Goiás
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