23/10/2019 às 15h16min - Atualizada em 23/10/2019 às 15h16min

Acusado de matar a mulher e forjar suicídio passa por júri popular, em Goiânia

Homem está preso desde a data do crime, em abril de 2018. Segundo defesa, ele se declara inocente e mantém versão que esposa se matou.

Preso acusado de matar a mulher e forjar uma cena de suicídio passa por júri popular nesta quarta-feira (23), em Goiânia. A vítima, Vaneide Moreira de Jesus, foi encontrada morta na casa em que o casal vivia, caída ao chão, no dia 7 de abril de 2018.
O julgamento é presidido pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara. O corpo do júri é formado por quatro homens e três mulheres.
Augusto Furtado Pimentel está preso desde a época do crime. A defensora pública Ludmila Fernandes Mendonça, que representa o réu, disse que ele se declara inocente.
“A defesa sustenta a negativa de autoria, porque trata-se de suicídio. O depoimento dele condiz com o laudo de local de morte e exame cadavérico”, falou.
O réu respondeu às perguntas do juiz, do promotor e da defensora pública. Na sua fala, ele negou ter matado a esposa e disse que ela tentou suicídio uma vez e, cerca de uma hora depois, tentou novamente e conseguiu.
“Deus não me deixa mentir. Não sou homem de mentir. Não fui eu. Eu tentei salvar a vida dela”, afirmou, emocionado.
A denúncia do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) é de que houve feminicidio. Consta no documento, que a vizinha do casal ouviu gritos de socorro da vítima e que, algum tempo depois, o marido foi até ela é contou que a mulher tinha se matado.
 Também segundo a denúncia, o casal estava ingerindo bebida alcoólica e brigando durante o dia.

PMs falam da cena do crime

Os policiais militares que atuaram no dia da morte foram ouvidos como testemunhas. Respondendo às perguntas feitas pelo promotor Cassius Marcelus, eles relataram que foram chamados para uma ocorrência de suicídio no local.
Eles disseram que isolaram a área, que os bombeiros constataram a morte e que os peritos, ao chegarem, desconfiaram que não se tratava de suicídio. Um deles, André Girão Simão, disse que também estranhou a cena, que não parecia um local de crime onde estivesse ocorrido um suicídio.
O segundo PM, Alexandre Alves Caixeta, disse que os socorristas acreditaram inicialmente em suicídio, mas que os peritos suspeitavam de homicídio.

'Nada vai trazer ela de volta'

Filho da vítima, o comerciante Ygor Alexandre Moreira de Jesus, de 23 anos, disse que a mãe chegou a reclamar, durante o relacionamento com o Augusto, que ele já havia batido nela.
“Ela chegou algumas vezes machucada falando que eles tinham se agredido. Vi algumas marcas de roxo, azulada, casquinha de machucado”, relatou.
Apesar da saudade dela, Ygor disse já estar “em paz” com a partida da mãe. “Nada vai trazer ela de volta”, afirmou.

Outros depoimentos

Uma ex-esposa do réu, Ana Lúcia Pereira de Matos, foi a última testemunha a ser interrogada. Ela contou que tem uma filha com o carregador, mas que há anos eles não tinham contato.
Ela também relatou que nunca foi agredida por Augusto, e que tudo o que sabia sobre o caso é que ele dizia ser inocente.
Augusto falou durante seu depoimento disse que, no dia, o vizinho levou a eles uma garrafa de pinga. “Bebemos um pouco, ela estava lavando roupa e eu fui capinar um lote lá em baixo”, relatou. Era um sábado e ele não havia ido trabalhar.
Segundo o réu, no final do dia, ela chegou a ficar nervosa procurando o fumo que havia recebido junto com a pinga. Ele disse que não sabia onde estava e foi tomar um banho.
 
Fonte: G1Goiás
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