30/09/2019 às 14h45min - Atualizada em 30/09/2019 às 14h45min

Advogada de mulher que recebeu um bebê após exames mostrarem gêmeos pede afastamento da delegada que apura caso: 'Parcial'

Defesa alega que investigadora tem 'amizade íntima' com obstetra que fez parto, em Quirinópolis. Delegada diz que tem com médica uma 'relação de convivência', mas nega que isto influencia na investigação.

A advogada da dona de casa Aline Parreira de Jesus, que recebeu só um bebê após exames de ultrassom apontarem gestação de gêmeos, pediu o afastamento da delegada que investiga o caso, Simone Casemiro Campi. Em documento protocolado no Ministério Público de Goiás, Sandra Garcia de Oliveira alega que a investigadora está agindo de "forma parcial" por ter uma "amizade íntima" com a obstetra que realizou o parto.
Aline deu à luz no último dia 13, no Hospital Municipal Antônio Martins da Costa, em Quirinópolis, região sul de Goiás. Embora quatro ultrassonografias tenham mostrado que ela esperava dois filhos, a mulher recebeu somente um. Um vídeo mostra que apenas uma criança saiu do centro cirúrgico onde aconteceu a cesariana.
A delegada afirma que conhece a médica, Bertha Lúcia Bandeira Martins da Silva Almeida, revelou que ela é sua ginecologista particular e que ambas têm uma "relação de convivência", mas negou que isso influencie na investigação (veja abaixo).
G1 não consegui contato com Bertha.
Sandra resolveu tomar a atitude por acreditar que a investigação está sendo conduzida de forma irregular, uma vez que a delegada seria amiga da obstetra. A advogada afirma que, diante do caso, a própria delegada deveria ter tido a iniciativa de se afastar do inquérito, mas isso não aconteceu.
"A forma que está sendo aplicada nas investigações é irregular. A delegada é amiga íntima de médica, ela está sendo parcial desde o início. Desde o início ela afirma que é erro nos exames", disse ao G1. "Eu levei essa parcialidade ao conhecimento do Ministério Público para tomar providência. O correto seria ela declarar de ofício suspeição. Mas ela não o fez", completou.
Além disso, Sandra solicitou outras medidas, como a devolução dos exames originais e o prontuário para Aline, o registro das gravações de câmeras de segurança na data do parto e nos dois dias seguintes e, se for necessário, a realização de exames de DNA de todos os bebês que nasceram o hospital entre os dias 8 e 14 de setembro.
G1 entrou em contato com a direção do hospital e com o Ministério Público solicitando um posicionamento sobre o caso e aguarda retorno.
"Relação de convivência"
Ao G1, a delegada contou que de fato conhece a médica e que se consulta com ela, mas negou que essa proximidade esteja influenciando no inquérito que apura o que aconteceu antes, durante e após o parto.
"Estou aqui [em Quirinópolis] tem muito tempo e conheço todo mundo. Até tenho uma relação de convivência porque nossos filhos estudam juntos. Inclusive, ela é minha ginecologista. A investigação é impessoal. A gente está investigando fatos. Todos foram ouvidos indistintamente, ninguém teve privilégio em relação a nada", afirma.
Simone disse que entende a vontade da família em descobrir o que aconteceu, mas salienta que com base em tudo que foi levantado até o momento, não há nenhuma indicação de que outra criança nasceu e que o que houve foi um "erro de diagnóstico".
"Não posso desvirtuar e falar que a gente suspeita que possa ter [outro bebê]. Eu não posso falar isso porque a investigação não mostra isso. Isso, na verdade, não é parcialidade, é realidade", declara a delegada.
A responsável pelo caso conta que já ouviu 15 pessoas dentro do inquérito e que aguarda somente o laudo da perícia nos exames de ultrassom - que será feita no Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia - para concluir o caso.
Os documentos serão enviados para a capital na terça-feira (1º). Não há prazo para o resultado.
Em nota, a Polícia Civil informou que "a investigação tem caráter impessoal" e que o "vídeo divulgado faz parte de um conjunto probatório que corrobora outras provas do inquérito".

Resumo do caso

  • Aline Parreira de Jesus fez quatro exames de ultrassom que apontam gravidez de gêmeos;
  • Ela deu à luz em 13 de setembro, no Hospital Municipal Antônio Martins da Costa, em Quirinópolis, onde mora;
  • Dois dias depois, ela recebeu alta, saiu do hospital com duas declarações de nascimento, mas só com um filho
  • Marido de Aline, Erivaldo Correia da Silva, deu queixa na delegacia, e a polícia começou a colher depoimentos.
  • Secretaria de Saúde confirmou que os exames mostravam a presença de gêmeos, mas que só nasceu um bebê;
  • Hospital alega que expediu duas declarações de nascimento por engano;
  • A médica que fez o parto diz que houve um erro no exame;
  • Pais da criança, médicos que fizeram as ultrassonografias e equipe que atuou no parto são ouvidos por delegada;
  • Prima de Aline que trabalha como técnica de enfermagem no hospital diz que foi chamada ao centro cirúrgico na hora do parto e viu que um bebê tinha nascido e não havia outro para nascer.
A obstetra que fez o parto disse que a segunda criança era, na verdade, apenas o "reflexo" no líquido amniótico de um único feto que Aline esperava.No entanto, o médico Waldemar Naves do Amaral, membro da Sociedade Goiana de Ginecologia e Obstetrícia e especialista em diagnóstico por imagem/ultrassonografia, acha pouco provável que o erro seja esse, já que foram feitas mais de uma ultrassonografia com mais de um médico e inicialmente em equipamentos diferentes.
O registro das duas certidões também é investigado pela polícia, pois, em tese, uma das crianças não existe. O hospital diz que houve um erro durante a troca de plantão e que foi expedido, na verdade, a mesma declaração em duplicidade para um único bebê.
 
Fonte: G1Goiás
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