18/09/2019 às 15h23min - Atualizada em 18/09/2019 às 15h23min

Obstetra diz que 'reflexo' em exame fez parecer que grávida esperava gêmeos; mulher recebeu só um bebê

Segundo depoimento à polícia, médica que fez o parto suspeita que líquido amniótico formou uma espécie de 'espelho', refletindo imagem da única criança. Exames de ultrassom apontavam gestação de gêmeos.

A Polícia Civil está colhendo os depoimentos dos envolvidos no caso da mulher cujos exames de ultrassom apontaram gestação de gêmeos mas que só recebeu um bebê após dar à luz. O caso aconteceu no Hospital Municipal Antônio Martins da Costa, em Quirinópolis, região sul de Goiás.
A obstetra que fez o parto alegou, durante interrogatório, que houve um erro de diagnóstico e que a segunda criança era, na verdade, apenas o "reflexo" no líquido amniótico do único filho que a grávida esperava.
Segundo a delegada Simone Casemiro Campi, responsável pelo caso, a médica relatou que o líquido na barriga da mãe formou uma espécie de "espelho". Ela conta que a profissional, na terça-feira (17), disse o seguinte:
"Os laudos ultrassonográficos estavam equivocados por causa de uma imagem reflexo do feto no líquido amniótico".

Simone acredita que, apesar de quatro exames feitos por três médicos diferentes apontarem gestação de gêmeos, de fato, não havia o segundo bebê. Ela trabalha, até então, com a tese de que as ultrassonografias estavam erradas.
"Tomei o cuidado de pesquisar e teve um caso recente, em Pernambuco, que é a mesma coisa. É incomum, mas não impossível", afirmou.
A delegada, no entanto, afirma que irá encaminhar os documentos para serem periciados no Instituto Médico Legal (IML), em Goiânia, para ter a confirmação ou não da teoria.
G1 entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego), por e-mail, às 9h06 desta quarta-feira (18), questionando se a teoria é plausível e se o órgão está apurando o caso. A reportagem aguarda retorno.

Outros depoimentos

Além da obstetra, também foram ouvidos o pediatra e a anestesista que atuaram no parto. Todos comentaram que estranharam o fato de não haver o segundo bebê, conforme era esperado.
"Eles disseram que toda a equipe foi montada para receber duas crianças. Quando tirou a primeira criança foram ver e notaram que não tinham a segunda", destaca.
A grávida, Aline Parreira de Jesus, havia dito que "apagou" após a anestesia para a cesariana e que só foi avisada de que teria tido apenas um bebê quando acordou. A equipe médica, porém, rebateu a informação e alegou que ela estava acordada a todo momento e foi avisada, ainda na mesa de cirurgia, que não existia a segunda criança.
A delegada disse que o hospital tem uma norma que proíbe a entrada de acompanhante na sala de parto. Porém, logo após o parto, procuraram algumas pessoas que a representassem para avisar sobre o ocorrido e não encontraram.
A polícia ainda prevê ouvir a mãe, o médico auxiliar que também atuou na cirurgia, um enfermeiro e três técnicos em enfermagem, além dos dois outros médicos que fizeram exames de ultrassom em Aline. A obstetra que fez o parto também realizou um dos exames.

'Revolta'

Angustiada, Aline diz que não tem dúvidas de que estava grávida de gêmeos e que até sentia os dois filhos na barriga. Ela luta para descobrir o que aconteceu.
"[Sinto] muita revolta. Estava esperando dois [bebês], falaram que eram dois, depois falaram que era um. Não entendi nada. Tem que aparecer [o outro filho], de um jeito ou de outro", desabafa.
A família registrou a certidão de nascimento dos dois bebês em cartório. Segundo o marido de Aline, Erivaldo Correia da Silva, o hospital ainda emitiu duas declarações que confirmavam que os dois bebês tinham nascido. Em relação a esta questão, a delegada informou que o que ocorreu, na verdade, foi um erro por parte da equipe médica do hospital.
"A declaração foi preenchida na sexta-feira, quando a criança nasceu. No domingo, quando deram alta para a mãe e o bebê, a equipe de plantão era outra. Foram procurar a documentação e não acharam. Então, emitiram outra, o que não é correto", explica.
"Posteriormente, acharam a primeira declaração. Então a família ficou com as duas, dando a impressão de que eram de duas crianças. Mas todos os dados são idênticos, o que aparenta que a declaração foi feita em duplicidade", completa.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Quirinópolis disse que não entregou a declaração de nascido vivo de duas crianças, mas de apenas uma, duas vezes. Isso, segundo o órgão, é que causou a confusão. A secretaria disse ainda que está fornecendo toda a documentação para que o caso seja esclarecido na investigação policial.
As clínicas onde Aline realizou as ultrassonografias não quiseram se manifestar.
 
Fonte: G1Goiás
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