30/07/2019 às 15h45min - Atualizada em 30/07/2019 às 15h45min

Hospital de Trindade onde bebês foram trocados já teve caso semelhante em 2017, dizem mães

Elas relatam que o problema foi solucionado em 24 horas e que conseguiram ir para casa com as filhas verdadeiras, mas que tudo gerou muita agonia: 'Vivi tudo de novo'.

Duas mães de meninas contaram que o caso da troca de bebês registrada no Hospital de Urgências de Trindades (Hutrin) no último dia 9 de julho é ao menos o segundo na unidade. Isso porque elas tiveram as filhas trocadas na mesma unidade de saúde em 2017. No caso delas, o erro foi confirmado em 24 horas, por imagens de câmeras de segurança, e as nenéns foram destrocadas a tempo de irem para casa com os pais biológicos.
Sobre o caso de 2017, o Instituto Gerir, que administrava o hospital na época, disse que todas as providências para solucionar o problema foram tomadas, e que deram toda assistência às famílias.
As mães, uma dona de casa de 33 anos e uma costureira de 28, contaram que, realmente, tudo foi resolvido, mas que o processo causou muita angústia, que elas acabaram revivendo ao saber das história dos casais Murillo Marquez Praxedes Lobo e Aline de Fátima Bueno Alves, e Genésio Vieira de Sousa e Pauliana Maciel Aguiar de Sousa, que ficaram com os bebês trocados por 20 dias.
“Quando eu vi eu chorei tanto, porque eu vivi tudo de novo, toda a angústia. Eu lembro que tinha visto minha filha logo depois do parto, mas quando foram me entregar ela no quarto, me entregaram outra neném. Eu dizia que ela não era minha filha. Eu sentia, mas todos no hospital falavam que eu estava errada”, disse a costureira.
A dona de casa relatou a mesma coisa. Acontece que uma das nenéns nasceu morena com bastante cabelos pretos e olhos castanhos. Já a outra era branca, quase careca e de olhos azuis. As mães notaram justamente a diferença física entre elas e insistiram com a unidade de saúde, até que pegaram imagens de câmeras de segurança do berçário.
“Até ver essas imagens, meu esposo já estava decidido a fazer o DNA. Como eles [hospital] viram o erro, eles mesmos fizeram o exame de DNA, que comprovou, mas só destrocamos as bebês quase na hora de ir embora para casa. O meu colostro, por exemplo, foi para a neném dela, e o dela para a minha”, lembrou a dona de casa.
Na época, elas saíram do Hutrin com um documento onde o hospital reconhecia o erro e informava que a troca foi desfeita em 24 horas. Elas contaram que não viram sentido em denunciar à policia na época porque o transtorno já havia causado bastante desgaste, e preferiram não prolongar.
No entanto, quando viram que o caso voltou a acontecer dois anos depois, elas decidiram registrar que ele não era o primeiro caso.
“Se a gente não tivesse falado nada, não tivesse insistido, estaríamos com os bebês trocados até hoje. [...] Eu fiquei com muita indignação ver acontecer o mesmo erro. Até então estava calada, mas eu falei: ‘não vou me calar, porque eu sei o que estão passando’”, disse a costureira.
A respeito da troca registrada agora em 2019, e ainda sob investigação, a atual administração do Hutrin, no domingo (28), confirmou a troca dos bebês e disse que afastou quem estava de serviço nas datas de nascimento e alta. Eles também garantiram que estão apurando internamente o ocorrido e em contato com as famílias (veja nota na íntegra ao fim da reportagem).
A delegada Renata Vieira, que investiga o caso, disse tudo leva a crer que as bebês estavam com as pulseiras de identificação corretas, mas foram entregues para as mães trocadas. Segundo ela, falta ouvir os funcionários possivelmente envolvidos na troca para esclarecer como tudo aconteceu. No entanto, ela disse que aguarda que o hospital envie a ela a lista com os nomes desses profissionais, para que eles sejam intimados a depor.
Em um posicionamento enviado nesta terça-feira (30) o Hutrin disse a lista de funcionários “será mandada para a Polícia Civil em tempo hábil” e que estão “aguardando a conclusão do procedimento administrativo interno que visa apurar responsabilidades”.
O nome do laboratório que está responsável pelos exames de DNA das duas famílias não foi divulgado, mas o hospital disse que “assim que o resultado ficar pronto será amplamente divulgado”.

Situação atual

Os dois casais que tiveram os bebês trocados neste mês decidiram ir morar juntos para facilitar a transição, já que a destroca também tem sido pesada para todos. Murillo e Aline, que moram em Santa Bárbara de Goiás, estão ficando na casa de Genésio e Pauliana, que vivem em Trindade, até o resultado do exame de DNA sair.
Segundo a delegada, o resultado desse exame está previsto para sair na quarta-feira (31).

Desconfiança

O caso foi descoberto após um dos pais desconfiar de um erro ao perceber que o bebê dele e da esposa, que são morenos, era branco dos olhos azuis. O casal decidiu fazer um exame de DNA por conta, que indicou que nenhum deles era pai biológico da criança.

Ao saber dessa desconfiança, outro casal que teve bebê no mesmo dia e no mesmo hospital manifestou a mesma suspeita, também pela falta de semelhança com o recém-nascido.
Na segunda-feira, os quatro tiveram material genético coletado no Hutrin para novo exame de DNA, que deve comprovar a paternidade e maternidade de cada um.

Notas do Hutrin na íntegra

Nota enviada no domingo -
"O Hospital Estadual de Urgências de Trindade Walda Ferreira dos Santos (Hutrin) esclarece de forma preliminar o seguinte:
- A direção do hospital tão logo foi notificada da suspeita de troca de bebês instaurou uma comissão sindicante para apurar o caso e afastou as pessoas que estavam de serviço no berçário nos dias dos nascimentos e alta de mães e crianças;
- Instaurou um processo ético-disciplinar para apurar responsabilidades no ocorrido;
- Manteve contato com a mãe e com o pai do bebê afim de elucidar o fato em todas as suas possibilidades;
- Notificou a mãe e o pai sobre a realização de exames de DNA para comprovar a paternidade e maternidade sobre a criança e estabeleceu como parâmetro a realização de outros exames visando contraprova do fato;
- Está realizando um completo levantamento de todos os nascimentos na data para eliminar todas as dúvidas;

- Está selecionando todas as imagens de circuito interno de TV para instruir a investigação e documentar as saídas de pais, acompanhantes e crianças nascidas nesse período;
- O instituto Cem, organização social gestora do Hutrin e a direção do hospital estão acompanhando com integral cuidado e respeito aos princípios éticos e de responsabilidade para com a saúde humanizada e tratamento aos pacientes atendidos na unidade".
Nota enviada nesta terça-feira -
A lista de funcionários será mandada para a Polícia Civil em tempo hábil. Apenas aguardando a conclusão do procedimento administrativo interno que visa apurar responsabilidades. O nome do laboratório está mantido em sigilo para evitar incômodos. Assim que o resultado ficar pronto será amplamente divulgado. O caso de 2017 não será comentado por nós, primeiro porque foi solucionado na época, segundo porque se trata da gestão de outra Organização Social - Instituto Gerir - e terceiro porque não temos informações sobre esse fato.
 
Fonte: G1Goiás
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »