19/07/2019 às 14h30min - Atualizada em 19/07/2019 às 14h30min

Técnico cai no mesmo buraco em que ajudante de pedreiro ficou cinco horas soterrado, em Goiânia

Acidente aconteceu em obra no setor Balneário Meia Ponte, nesta sexta-feira (19). Local foi interditado pelo Crea e Defesa Civil depois de soterramento.

Menos de um dia depois do resgate do ajudante de pedreiro Gil Jorge de Carvalho, que ficou cinco horas soterrado, o técnico em telecomunicações Paulo Alves dos Santos caiu no mesmo buraco enquanto fazia uma manutenção na rede. O acidente aconteceu no setor Balneário Meia Ponte, em Goiânia, nesta sexta-feira (19).
Segundo os colegas da vítima que presenciaram tudo, Paulo teve um machucado na cabeça, quebrou o braço esquerdo e foi levado para o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol).
Por meio de nota, a unidade informou que o paciente está "com o estado geral regular, consciente e respirando espontaneamente".
Os trabalhadores que estavam com Paulo contaram que estavam fazendo a manutenção justamente porque, quando houve o deslizamento de terra que soterrou Gil Jorge, um poste caiu. Com isso, foi necessário transferir as redes para outros postes.

Soterramento

Gil Jorge de Carvalho ficou soterrado por cinco horas depois que um monte de terra caiu sobre ele nesta mesma obra. Em entrevista exclusiva à TV Anhanguera, ele contou sobre o sufoco que passou no período e disse aos bombeiros que gostaria de ver logo os filhos de novo.
“A gente fica conversando com a vítima para manter ela calma, e eu fui dizendo a ele que iriamos sair juntos dali juntos. [...] Ele dizia na hora que queria viver, sair dali logo para abraçar o filho”, contou o sargento dos bombeiros Lineu Morais de Faria, que atuou no resgate.
O ajudante de pedreiro lembra que a terra caiu sobre ele muito de repente.
“Minha mão esquerda ficou presa perto do rosto, então eu consegui só tirar a terra da boca e pedi ajuda para os meus amigos. Eles me escutaram e, com enxada e pá, iam tirando terra pra ver se me achava. Eu ia falando com eles e orientando o rumo de cavar, até que acharam meu boné”, contou.
Gil disse que, mesmo com o rosto de fora, era muito difícil respirar por causa da pressão da terra sobre o tórax. O Corpo de Bombeiros foi chamado e, chegando ao local, começou esse trabalho de retirar a terra para liberá-lo.
“Infelizmente, a maioria dessas situações de soterramento terminam em óbito. Mas, primeiro temos que agradecer a Deus essa oportunidade, e não deixar de falar desses três operários que ficaram com ele até que os bombeiros chegassem"
"Muitas vezes as pessoas acham que tem que tirar a vítima da terra, mas é o contrario. Tem que tirar a terra da vítima para não ter outro soterramento”, detalhou o tenente dos bombeiros Alisson Oliveira.

Interdição

A obra em que ocorreu o acidente recebeu uma visita de técnicos da Defesa Civil de Goiânia. Eles interditaram o local ainda na quinta-feira (18), logo após o soterramento. Isso porque eles encontraram algumas irregularidades.
“Constatamos que ela não tem licença na Prefeitura de Goiânia, e não tem um responsável técnico junto ao Crea-GO [Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura] para essa obra. Por isso, a gente interditou como medida de segurança. Ela deve sofrer outros embargos administrativos até que apresentem a documentação com laudo do engenheiro responsável”, contou o coordenador executivo da Defesa Civil, Francisco Vieira.
G1 e a TV Anhanguera também não conseguiram descobrir quem são os responsáveis pelo terreno e pela obra para pedir um posicionamento sobre o caso.
Fonte: G1Goiás
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