03/06/2019 às 15h18min - Atualizada em 03/06/2019 às 15h18min

Amigos e parentes de jovem que morreu após estupro em UTI fazem protesto na porta de hospital, em Goiânia

Segundo polícia, imagens de câmera de segurança confirmam que Susy Nogueira Cavalcante, de 21 anos, foi violentada enquanto estava internada. Suspeito foi preso e indiciado pelo crime.

Amigos e familiares da universitária Susy Nogueira Cavalcante, de 21 anos, fizeram um protesto na tarde desta segunda-feira (3), em frente ao Hospital Goiânia Leste, onde ela morreu. Segundo a polícia, dias antes do óbito, um técnico em enfermagem foi preso suspeito de estuprar a vítima.
Eles seguram cartazes com o nome da jovem, entoando cânticos religiosos e pedindo Justiça. Susy, que cursava arquitetura, morreu no último dia 26 de maio, noves dias após dar entrada na unidade de saúde com crises convulsivas.
Por e-mail, a OGTI, empresa terceirizada que gere a UTI hospital, disse que ao tomar conhecimento da denúncia "imediatamente afastou seu colaborador, técnico de enfermagem, de suas atividades, e iniciou procedimento interno de apuração" (veja íntegra abaixo).
Além disso, a OGTI disse que, após constatar "os reais indícios de crime", comunicou o fato a Polícia Civil, que solicitou sigilo para que as investigações não fossem prejudicadas. A empresa disse que seguiu a determinação da corporação e que, após a delegada comunicar a família, conversou com o pai de Susy.
Enquanto estava internada na UTI, a jovem relatou à técnica enfermagem que tinha sido estuprada, acusando o também técnico em enfermagem Ildson Custódio Bastos, de 41 anos. Ele se entregou e foi preso em seguida.

A família foi avisada da investigação de estupro durante o velório da jovem.
Imagens de uma câmera de segurança obtida, segundo a corporação, comprovam o abuso. A delegada Paula Meotti, responsável pelo caso, indiciou o profissional por estupro de vulnerável, com pensa de 8 a 15 anos em caso de condenação.
Ao G1 o advogado de Ildson, Leonardo Silva Araújo, disse que, por enquanto, não vai pedir a soltura de seu cliente por "temer por sua vida". Ele afirmou ainda que não há novidades sobre a linha de defesa e que "toda forma de protesto de maneira ordeira é válida".

'Ela queria falar'

O pai de Susy, um policial aposentado que prefere não se identificar nem mostrar o rosto, disse que que a filha parecia tentar conversar e contar alguma coisa para a família, mesmo entubada e sedada.
"A gente sentia que ela queria falar. Como tinha só um dia [de internação], a gente perguntava aos médicos e eles falavam aquelas palavras de médico. Como a gente é leigo, não ia tirar ela de lá, mas a vontade era tirar tudo dela, todos aqueles tubos. É uma dor intensa", desabafou.
Depois de dias de agonia vendo a filha na UTI, o pai recebeu a notícia do hospital de que ela havia morrido. Segundo ele, as causas apontadas pela unidade de saúde foram pneumonia e infecção.

Ainda conforme o pai, essa foi a primeira vez que a filha foi internada no Hospital Goiânia Leste. Ele disse que não se sentia bem levando ela para o lugar, mas, como era o mais perto, foi a melhor opção.

Nota da empresa responsável pela UTI

"A OGTI compartilha a dor e se solidariza com o luto da família e amigos e esclarece que ao tomar conhecimento da denúncia da paciente Suzy Cavalcante imediatamente afastou seu colaborador, técnico de enfermagem, de suas atividades, e iniciou procedimento interno de apuração. Constados os reais indícios de crime comunicou o fato a Polícia Civil, que solicitou sigilo a fim de que as investigações não fossem prejudicadas. A empresa tão somente observou a determinação da Polícia Civil. Por isso, após a delegada informar a família, a empresa de forma reservada conversou pessoalmente com o pai sobre as providências que já haviam sido tomadas.”
Fonte:G1Goiás
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