03/05/2019 às 14h59min - Atualizada em 03/05/2019 às 14h59min

MEC bloqueia R$ 32 milhões da UFG

Governo começa a aplicar travamento de orçamento das instituições federais. Em Goiás, universidade terá perda tanto na verba de custeio, como de investimento

Assim como no resto do Brasil, a Universidade Federal de Goiás (UFG) teve 30% de sua verba de funcionamento para 2019 bloqueada pelo Ministério da Educação (MEC). O bloqueio aconteceu na tarde desta quinta-feira (2) e travou R$ 32 milhões do orçamento anual da instituição de ensino goiana, que já vive situações de cortes desde 2014. Para o reitor, Edward Madureira, a alteração torna a universidade inadministrável.
Do valor total bloqueado da federal de Goiás, R$ 27 milhões são referentes à verba de custeio, ou seja, valores usados na manutenção da universidade, com pagamento de custos como água, energia, alimentação e bolsa estudantil. A verba de custeio prevista era de cerca de R$ 90 milhões. O restante do valor bloqueado, R$ 5 milhões, é do orçamento destinado a investimento, como para a construção de novos prédios ou compra de equipamentos. A verba prevista para isso já era baixa, cerca de R$ 8,2 milhões.
A crise financeira da UFG não é novidade, mas uma diminuição orçamentária dessa proporção é inédito. Os cortes começaram ainda no governo de Dilma Rousseff (PT) e se intensificaram na gestão de Michel Temer (MDB), com a aprovação de emenda constitucional que congela os gastos públicos. A parte do orçamento mais atingida nesses últimos anos foi a de investimento, que já chegou a mais de R$ 50 milhões anuais em anos anteriores a 2014, segundo Madureira.
Reportagem do POPULAR de abril do ano passado falava de uma dívida de R$ 17 milhões da universidade. Valor que se manteve até os dias de hoje. O reitor garante que essa dívida é controlada e é formada, principalmente, pelas contas de energia e gastos com segurança terceirizada. No entanto, com o bloqueio desta quinta-feira, essa dívida pode aumentar e ficar insustentável. “Não tem como atrasar determinadas contas públicas e de contratos por um período maior. Ninguém vai suportar ficar com seis meses de atraso”, afirma.
Além de verbas de custeio e investimento, o orçamento da UFG é formado pelo pagamento dos servidores, que é a maior fatia. No ano passado, o gasto da universidade com pessoal passou da casa de R$ 1 bilhão. Esse valor altera pouco de um ano para o outro, já que os funcionários são concursados.
 
Piora
 
Enquanto tenta negociar, junto às outras instituições federais de ensino do Brasil, com o MEC, a UFG deve intensificar o corte de gastos, que já vem acontecendo nos últimos anos. O objetivo, segundo o reitor, é fazer a universidade funcionar o maior tempo possível, mas adianta que é impossível ir até o final do ano, se o bloqueio continuar.
Uma comissão interna deve avaliar os cortes mais imediatos, que segundo o reitor, não devem atingir áreas fins da universidade. Serão avaliadas a economia com energia elétrica, telefonia e serviços terceirizados, como segurança.Entre as áreas da UFG que ficam em risco, em uma situação hipotética sem desbloqueio, citados por Madureira, estão os laboratórios e o restaurante universitário. O Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (CRTI), por exemplo, é um laboratório multidisciplinar usado para pesquisas de diversas áreas, como a indústria farmacêutica e mineração.
Já o restaurante universitário, que oferece 9 mil refeições por dia, contando as unidades do interior, é subsidiado para os estudantes que não tem condições financeiras e pode ficar ameaçado. “Imagine mais a frente a gente não conseguir honrar nossos compromissos com as empresas que fornecem esses alimentos? Imagina o restaurante fechado em algum momento? O impacto que tem nesses estudantes em vulnerabilidade social?”, prevê Madureira.
Edward Madureira pontua que as declarações do atual ministro da Educação, Abraham Weintraub, são muito duras e demonstram um desconhecimento de alguns aspectos da universidade. “A gente vai tentar reverter. Claro que o caminho é sempre o diálogo”, avalia o reitor.
No próximo dia 16, ele deve participar de uma reunião com Weintraub junto a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).
Inicialmente, o bloqueio de 30% do orçamento foi anunciado apenas para três universidades: a de Brasília (UnB), a Federal da Bahia (UFBA) e Fluminense (UFF). O titular do MEC chegou a afirmar para o jornal Estado de S. Paulo que a medida era por conta da “balbúrdia” dessas instituições, que fariam “eventos ridículos”, com a presença de sem-terra e gente pelada. Na última terça-feira, o MEC divulgou que o bloqueio será estendido para todas as instituições de ensino do País.
 
Entidades de professores e técnicos condenam MEC
 
Os sindicatos de técnicos administrativos e dos professores da Universidade Federal de Goiás (UFG) condenaram a decisão do Ministério da Educação (MEC) de bloquear 30% da verba destinada às instituições de ensino federal de todo o País. Nos bastidores há articulação para uma greve. No próximo dia 15 é programada uma paralisação temporária.
“O MEC declarou guerra às universidades públicas, aos reitores, aos professores. O sentimento é esse. A greve hoje é a opção viável para enfrentar tudo isso que está acontecendo. Se continuar dessa forma, o futuro é realmente privatizar a universidade pública”, avalia o presidente do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg), Flávio Alves da Silva.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação (Sint-Ifes), Fernando Cesar Silva da Mota, lembra que cortes na universidade já são sentidos desde 2015. “Houve um arrocho no sentido da diminuição na compra de equipamentos e insumos necessários para o bom funcionamento da instituição”, aponta.
Flávio, da Adufg, concorda. “A universidade já vem sofrendo desde essa época e agora, com esses 30% aí, o negócio vai complicar mais ainda.”
 
Fonte: O Popular
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